terça-feira, 9 de julho de 2019

Às vésperas de votação da reforma, governo Bolsonaro libera quase R$ 1.000.000.000,00 1 bilhão em emendas

Às vésperas de votação da reforma, governo Bolsonaro libera quase R$ 1.000.000.000,00 1 bilhão em emendas
Da Folha:
Às vésperas do início da discussão da reforma da Previdência no plenário da Câmara, o governo Jair Bolsonaro liberou quase R$ 1 bilhão em emendas parlamentares vinculadas à área de saúde. O desembolso de R$ 920,3 milhões foi publicado em 34 portarias de uma edição extra do Diário Oficial da União desta segunda (8). Os recursos atendem municípios de 25 estados e são destinados a complementar gastos de prefeitos com serviços de assistência básica, e de média e alta complexidade
O levantamento feito pelo Painel considerou apenas despesas registradas sob a inscrição de “emenda parlamentar” na edição extra do Diário Oficial. Ou seja, a irrigação pode ter sido maior.
Numa tentativa de agilizar a votação da reforma e concluir o procedimento na Câmara até o fim desta semana, líderes de partidos fizeram acordo com a Casa Civil para passar na frente da fila de liberação as emendas solicitadas pelos parlamentares que mais desconfiavam das promessas do governo.

(…)
DO DCM

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Sem previdência pública, Chile tem número recorde de suicídio de idosos

privatização da Previdência Social Chilena está exigindo esforços cada vez maiores de quem já trabalhou a vida inteira. O fundo, transferido para a iniciativa privada na década de 1980, na época em contrato elogiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), enfrenta um dos momentos mais complexos dos últimos 30 anos.

redução no valor das pensões e aposentadorias está provocando uma onda crescente de suicídios no país. O Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), publicou estudo mostrando que entre 2010 e 2015, 936 adultos maiores de 70 anos tiraram sua própria vida.

No caso dos maiores de 80 anos, em média, 17,7 a cada 100 mil habitantes recorreram ao suicídio. Com isso, o Chile ocupa atualmente a primeira posição entre número de suicídios na América Latina.
Sem previdência pública, Chile tem número recorde de suicídio de idosos Chilenos questionam os benefícios da privatização
Chilenos questionam os benefícios da privatização
Os estudos são alarmantes e se dão, sobretudo, por uma conta simples. Quanto mais avançada a idade, maior a necessidade de cuidados específicos com a saúde. Mas, como se sabe, o acesso aos sistemas públicos de saúde e até mesmo ao setor particular, é complicado e caro. Trocando em miúdos, é preciso ter uma situação financeira organizada para atravessar a última etapa da vida.
A proposta de desestatização no Chile nasceu com a justificativa de que iria auxiliar no crescimento econômico. Por isso foram criados as Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), controladas por instituições privadas e responsáveis pela administração das poupanças e pensões.

Segundo especialistas, o argumento não se comprovou. Membros do movimento No Más AFP dizem que o desmonte realizado pelo Estado beneficiou apenas corporações privadas, que segundo, eles tiraram dinheiro do setor público de saúde chileno. Agora, o controle está nas mãos de empresas financeiras multinacionais, entre elas BTG Pactual, do Brasil.
“Houve crises financeiras nas que perdemos todas as economias depositadas ao longo da vida, porque ficamos sujeitos aos vaivéns do mercado”, ressaltou Carolina Espinoza, dirigente da Confederação de Funcionários de Saúde Municipal (Confusam) e porta-voz da Coordenação No Más AFP.

Idosos e suas famílias se encontram em uma sinuca de bico. Com a aposentadoria bancada pelo trabalhador, as pessoas tiveram que entregar 10% de seus salários ao mercado especulativo, sem auxílio do Estado ou dos próprios empregadores. Para piorar, um aposentado no Chile recebe por entre 40 e 60% do salário mínimo.

No momento, são cerca de 10 milhões de filiados e mais de 170 bilhões de dólares aplicados no mercado de capital especulativo e em bolsas de valores de Londres e Frankfurt.

Pinochet e a política de Paulo Guedes

programa de privatização responsável pelo aumento dos registros de suicídios entre idosos foi criado durante a ditadura militar de Augusto Pinochet ainda na década de 1980.
Os autores das reformas ditatoriais ficaram conhecidos como Chicago Boys, apelido dado por causa dos estudos de pós-graduação realizados na Universidade de Chicago, onde a referência era Milton Friedman.  
Paulo Guedes, nomeado pelo presidente eleito como uma espécie de superministro da Economia é um dos principais admiradores da Escola de Chicago e das reformas ultraliberais traçadas durante a ditadura Pinochet.
Atendendo ao convite de Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento do regime de Pinochet, Guedes trabalhou como pesquisador acadêmico na Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, a instituição acadêmica mais antiga e importante do Chile.
Paulo Guedes deve aplicar reformas testadas na ditadura de Pinochet no Chile
Paulo Guedes deve aplicar reformas testadas na ditadura de Pinochet no Chile
El País entrevistou o jornalista e especialista em política brasileira Cristián Bofill. Para ele, Paulo Guedes sempre quis aplicar no Brasil o que foi feito pelo economista Sergio de Castro durante o regime militar.
“Pegar um país medíocre economicamente, meter-lhe reformas de viés neoliberal, fazer que o país tenha um impulso e, no final, o que é o mais vitorioso, que seus próprios adversários assumam o modelo, como fez, com a chegada da democracia, a Concertação de centro-esquerda”.
Assim como Jair Bolsonaro Pinochet era um militar desconfiado dos projetos de desestatização propostos por pessoas como Paulo Guedes. Todavia, ambos foram seduzidos durante conversas com o Chicago Boys. No caso de Bolsonaro, a conversa foi franca.
Revista Piauí publicou um longo perfil sobre o início do namoro entre Bolsonaro e Guedes. Sobre o processo de convencimento, a revista diz que “a influência que Guedes passou a exercer sobre Bolsonaro é tal que, por vezes, os assessores recorrem ao economista para tentar persuadir o candidato de alguma coisa”.
Resta saber se Bolsonaro vai obter sucesso na substituição do sistema previdenciário distributivo por um sistema de capitalização. Se depender de declarações de Onyx Lorenzoni, futuro Ministro da Casa Civil e grande admirador do sistema aplicado na ditadura de Pinochet, a ideia vai seguir.
“O Chile para nós é um exemplo de país que estabeleceu elementos macroeconômicos muito sólidos, que lhe permitiram ser um país completamente diferente de toda a América Latina”.

Texto-base da reforma da Previdência é aprovado pela comissão Veja quem votou a favor e contra A Favor do fim das aposentadorias da Reforma







Em fevereiro, jair Bolsonaro entregou reforma da Previdência para Rodrigo Maia. Foto: Xinhua
Em fevereiro, jair Bolsonaro entregou reforma da Previdência para Rodrigo Maia. Foto: Xinhua

A comissão especial da reforma da Previdência aprovou hoje o texto principal do parecer apresentado pelo relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Dos 49 votos, 36 foram favoráveis ao texto e 13, contrários. Os parlamentares ainda votarão os destaques de bancada na comissão, que podem mudar a redação final da proposta.
A economia prevista com a reforma é de aproximadamente R$ 1 trilhão, segundo parlamentares. O número oficial ainda não foi divulgado.
Após esse processo, o projeto segue para o Plenário da Câmara dos Deputados. O texto-base aprovado pela comissão estabeleceu uma idade mínima de aposentadoria de 62 anos para mulheres, com 15 anos de contribuição, e de 65 para homens, com 20 anos de contribuição.
(…)

Veja como votou cada deputado:

A Favor da Reforma

Alex Manente (Cidadania-SP)
Alexandre Frota (PSL-SP)
Arthur O. Maia (DEM-BA)
Beto Pereira (PSDB-MS)
Bilac Pinto (DEM-MG)
Capitão Alberto Neto (PRB-AM)
Celso Maldaner (MDB-SC)
Daniel Freitas (PSL-SC)
Daniel Trzeciak (PSDB-RS)
Darci de Matos (PSD-SC)
Darcísio Perondi (MDB-RS)
Delegado Éder Mauro (PSD-PA)
Diego Garcia (Pode-PR)
Dr. Frederico (Patriota-MG)
Evair de Melo (PP-ES)
Fernando Rodolfo (PL-PE)
Filipe Barros (PSL-PR)
Flaviano Melo (MDB-AC)
Giovani Cherini (PL-RS)
Greyce Elias (Avante-MG)
Guilherme Mussi (PP-SP)
Heitor Freire (PSL-CE)
Joice Hasselmann (PSL-SP)
Lafayette Andrada (PRB-MG)
Lucas Vergilio (Solidariedade-GO)
Marcelo Moraes (PTB-RS)
Marcelo Ramos (PL-AM)
Paulo Ganime (Novo-RJ)
Paulo Martins (PSC-PR)
Pedro Paulo (DEM-RJ)
Ronaldo Carletto (PP-BA)
Samuel Moreira (PSDB-SP)
Silvio Costa Filho (PRB-PE)
Stephanes Junior (PSD-PR)
Toninho Wandscheer (Pros-PR)
Vinicius Poit (Novo-SP)

Contra a Reforma
Alice Portugal (PCdoB-BA)
Aliel Machado (PSB-PR)
André Figueiredo (PDT-CE)
Carlos Veras (PT-PE)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Heitor Schuch (PSB-RS)
Henrique Fontana (PT-RS)
Israel Batista (PV-DF)
Joenia Wapichana (Rede-RR)
Jorge Solla (PT-BA)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Paulo Ramos (PDT-RJ)
Sâmia Bomfim (Psol-SP)

Do Uol via DCM

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Entenda porque a reforma da Previdência não acaba com privilégios

Com discurso de “combater privilégios” Bolsonaro retira direitos de quem ganha até dois salários mínimosEntenda porque a reforma da Previdência não acaba com privilégios




Sob o pretexto de combater privilégios, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou uma reforma da Previdência que, dentre outras medidas, quer aumentar a idade mínima e o tempo de contribuição para o recebimento da aposentadoria integral. Mas a verdade é que quase 65% dos beneficiários recebem, hoje, o equivalente a um salário mínimo, número que derruba por terra parte dos argumentos em prol da mudança.

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E não para por aí. À medida em que a proposta vai sendo detalhada, outros trechos desmentem a ideia de combate a desigualdades. Por exemplo: dos R$ 1,2 trilhão que o governo quer economizar, 83% vai sair de quem recebe até dois salários mínimos, ou seja, menos de R$ 2 mil.
Nessas faixas salariais, estão os trabalhadores mais suscetíveis ao desemprego, a precarização do trabalho e a redução da renda média. Problemas que estão sendo agravados no Brasil em meio a estagnação econômica que o país se encontra.
Paralelamente, a reforma mantém altos salários para os Três Poderes e privilégios para os militares. Esses últimos, tiveram uma reforma enviada a parte para o Congresso, com uma uma proposta que prevê um plano de carreira com reajustes de mais de 124%.
Em artigo publicado no Valor Econômico, Pedro Armengol, diretor da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, aponta trechos da proposta e afirma que o discurso de combate a privilégios “não se sustenta”. “Com alguns dados conseguimos desmontar o que consideramos ser apenas uma máscara, uma farsa; uma mentira montada para convencer desavisados”, critica.
O próprio texto da reforma mostra que, enquanto o governo fala que todos terão que fazer sacrifícios pelo país, as regras só foram endurecidas para aqueles que já recebem os salários mais baixos e estão mais vulneráveis.

terça-feira, 11 de junho de 2019

PSDB fecha questão a favor do fim das aposentadorias

PSDB fecha questão a favor da reforma da Previdência
O presidente do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), anunciou hoje que o partido fechou questão a favor da aprovação da reforma da Previdência. A Executiva Nacional do partido e as bancadas tucanas na Câmara e no Senado ainda estão reunidas para decidir sobre a questão. "O PSDB vai se posicionar em todos os temas relevantes ao país", escreveu o parlamentar em sua conta no Twitter. Com a decisão, os parlamentares do PSDB terão que votar favoravelmente à proposta sob risco de serem penalizados internamente.


O governador de São Paulo, João Doria, afirmou nesta manhã que é a primeira vez em 30 anos que o partido, como um todo, decide pelo fechamento de questão em torno de uma proposta. O PSDB é o segundo partido a tomar tal decisão. Em março, o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, também fechou questão em torno da reforma. A sigla informou na época que o parlamentar que não votar a favor das mudanças na Previdência pode até ser expulso da legenda.... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/06/11/psdb-fecha-questao-a-favor-da-reforma-da-previdencia.htm?cmpid=copiaecola Entenda a Reforma da Previdência em 3 minutos. Vídeo narrado por Seu Jorge explica o que está em jogo.

sábado, 8 de junho de 2019

PROTESTOS CONTRA CAPITALIZAÇÃO DA PREVIDÊNCIA NO CHILE QUE BOLSONARO QUER IMPLANTAR NO BRASIL

Imagens de um protesto no Chile em julho de 2017 contra o regime de capitalização na previdência, criado pelo ditador Pinochet e o mesmo que Bolsonaro e Paulo Guedes querem implantar no Brasil.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

MPF AFIRMA QUE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA É INCONSTITUCIONAL, EM PARECER ENCAMINHADO AO CONGRESSO.

MPF AFIRMA QUE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA É INCONSTITUCIONAL, EM PARECER ENCAMINHADO AO CONGRESSO.O Ministério Público Federal (MPF) emitiu parecer sobre a Reforma da Previdência, em que o resultado é profundamente desfavorável ao mercado financeiro e ao próprio governo Bolsonaro. Para o MPF, a Reforma é inconstitucional por ferir a princípio de solidariedade que é núcleo central da contribuição de 88.
O parecer foi encaminhando nesta quarta-feira (5) aos parlamentares que analisam a proposta. Segundo o texto, “o estabelecimento de um novo regime com base em um modelo de capitalização altera o princípio da solidariedade estabelecido como núcleo central da Constituição Federal de 1988”.
O modelo de previdência atual se baseia no financiamento dos pagamentos de aposentados e pensionistas, pelos trabalhadores mais jovens, que estão na ativa. Ou seja, há uma relação de solidariedade entre gerações, dado que a geração mais jovem, um dia será beneficiada da mesma solidariedade geracional exercida enquanto estava na ativa.
O MPF continua sua análise crítica à reforma, afirmando que o texto retira da constituição definições que ainda serão definidas em lei complementar, cujo texto nem existe ainda.
Para o MPF, a proposta “acaba por retirar do âmbito constitucional o tratamento de questões relativas à Previdência, visto que aspectos como rol de benefícios e beneficiários, idade mínima, tempo de contribuição, regras de cálculo dos benefícios, tempo de duração da pensão por morte e condições para acumulação de benefícios, por exemplo, passarão a ser disciplinados por lei complementar – e ‘cujo conteúdo é ainda desconhecido”.
Em outras palavras, seria uma carta em branco para o congresso alterar questões centrais da Previdência, sem a necessidade de maioria absoluta de dois terços, facilitando, no futuro, a retirada de direitos conquistados, o que também é inconstitucional.